Mon 8 Feb 2010
Projeto 200 Filmes: Per un Pugno di Dollari (1964)
Cinema, TV & Teatro, Na cabeçaescrito por Flavio Watson às 3:11
Pra mim, RPG tem dessas coisas: se decido criar algo, seja uma campanha, um jogo one-shot, ou um personagem, sempre corro atrás do maior número possível de referências. Aí, ano passado, resolvi começar uma campanha ambientada no Velho Oeste e mergulhei nesse universo que até então era quase que alienígena para mim. Com exceção dos desenhos do Pepe Legal, sabia quase nada sobre esse mundo de caubóis, pistoleiros, xerífes, índios, diligências e quilômetros de areia, rocha e tiros, muitos tiros.
Revirei a a internet (Amém Google! Amém Wikipedia!) atrás desse pedaço da história americana e aprendi sobre a Guerra da Secessão, tribos índígenas, ferrovias, Corrida do Ouro, Mórmons e todos os outros elementos que constituíram o imaginário dos EUA em meados do século XIX. E claro que, como o RPG é um hobbie que quase por definição alimenta-se de cultura pop, não poderiam ficar fora da minha pesquisa os filmes que retrataram essa época e definiram o que hoje entendemos como western. Até porque, no final das contas, o que importa não é a História, assim com H maiúsculo, e sim o que se conta dela.
E assim fui parar com a Trilogia dos Dólares no meu HD. Dirigido por Sergio Leone, o Rei do Western Spaghetti, a trilogia conta com ninguém menos que Clint Eastwood no papel do anti-herói solitário que aparentemente por não ter nada melhor para fazer resolve enfrentar o mal e libertar os oprimidos.
Por um Punhado de Dólares é o primeiro filme da trilogia e é um remake de Yojimbo, de Akira Kurosawa (que acabarei assistindo também qualquer dia desses) e conta a história de um homem sem nome, que ao chegar na pequena cidade de San Miguel a encontra dividida entre duas famílias de criminosos, os Baxters e os Rojos. Enquanto os Baxters representam a corrupção da Lei, na figura de John Baxter, um xerife americano corrupto que trafica armas, os Rojos representam os mexicanos violentos, traficantes de bebidas que mantêm a mocinha do filme aprisionada apenas para satisfazer os desejos de Ramón Rojo, o impiedoso e psicótico líder do clã.
Neste cenário, o Pistoleiro Sem Nome chega já dizendo a que veio e, de cara, aparentemente sem motivo algum, arruma uma briga com os capangas dos Baxters e enche quatro fulanos de bala, fazendo a alegria do velhinho que vive de fazer caixões na pequena cidade. A partir daí ele começa um verdadeiro mindfuck nos bandidos, enquanto acumula algumas centenas de dólares trabalhando ora para uma família, ora para outra.
E assim o filme prossegue, marcado pela trilha sonora icônica de Ennio Morricone, que viria a se tornar sinônimo de duelos ao pôr-do-sol.
Até metade da fita, a coisa anda meio devagar. Um tiroteio aqui, outro acolá. A história chega até a ficar meio confusa (e as falas em italiano não ajudam muito a tentar pegar o que às vezes parece que a legenda deixou passar) com tantas trocas de lado que o Pistoleiro Sem Nome faz.
Então a trama de fato se revela: Marisol fora sequestrada de seu marido e filho por Ramón Rojo e o Pistoleiro Sem Nome está ali pra resolver isso e toda dança de lealdades que fez até então era apenas para reunir esta família e libertá-la do mal. E não, não existe nenhum background que justifique isso. Ele apenas estava de passagem e resolveu que ia acabar com a bagunça. O mais próximo que há de uma justificativa surge quando perguntado por Marisol porque ele os está ajudando, o Pistoleiro responde seca e enigmaticamente, “Porque soube de alguém como vocês uma vez. E não havia ninguém lá para ajudá-los”. Maneiro.
Daí pra frente o filme engrena, a contagem de corpos aumenta drasticamente e vemos como o Pistoleiro Sem Nome é capaz de matar um monte de gente armada até os dentes com uma única pistola. Maneiro, muito maneiro.
Lógico que o herói não se dá bem o tempo todo e acaba sendo pego e apanhando feito um cão ladrão. Mas isso é apenas para gerar aquele anticlímax necessário para o que talvez seja a mãe de todas as cenas de duelo.
No final das contas, é claro que o nosso herói vence, para em seguida montar em um cavalo e deixar para trás uma família reunida, uma cidade livre de seus malfeitores e provavelmente o velhinho que constrói caixões milionário.
Closes excelentes, expressões faciais fantásticas e uma quase total falta de maniqueísmo fazem de Per un Pugno di Dollari um filme como não quase não se vê mais por aí. Não sei se chega a ser assim genial, mas é bem executado e certamente seminal para o gênero de ação.
Nota: 7,5
O Projeto 200 Filmes é uma teimosia minha em tentar assistir neste ano pelos menos 200 filmes que ainda não tenha visto. É eu sei, é bem difícil, principalmente considerando minha rotina maluca e as séries que acompanho que ocuparão um tempo precioso no meio do caminho. Mas se não fosse difícil, qual seria a graça?
Mas nem tudo que aparece por lá é inviável. Tem muita coisa divertida com preços razoáveis e até de graça, como por exemplo os divertidíssimos 




