Já tem uns dias que aconteceu, mas como estava há dois anos em coma isso não importa tanto.
Do que me lembrava o mundo permanecia mais ou menos o mesmo. Nesses dois anos em que estive ausente, alheio ao mundo, nada de substancial havia mudado. Perguntei pelos casais de amigos e todos ainda estavam juntos e um deles havia até se mudado para Teresópolis, acho que buscando um isolamento maior.
Dois anos.
Tudo igual.
Estava despreparado e atrasado como de costume para a competição. Mesmo sabendo que seria inútil participar, pus minha equipe em Alerta e partimos para a seqüência de bases, sem sequer saber o que seria cobrado. O campo verde e recheado de pequenos prédios foi percorrido, apresentando rostos cansados e descrentes frente à nossa disposição.
Creio que provaram-se certos.
…
Éramos três à frente de uma pesada porta de madeira. No batente, um arco com estranhas letras/símbolos/palavras circunscrevia a parte superior. Pilastras? Acho que sim. Ao redor não havia nada mais, apenas vazio, fumaça, estrelas e um vir-a-ser que não se concluiu em tempo.
Um de nós entrou.
Mulher? Mãe?
No umbral decrépito aguardava o retorno do rosto estranho acompanhado pelo outro homem que virou-se e calmamente me disse:
- Apenas me dê a faca…