February 2007
Monthly Archive
Wed 28 Feb 2007
Publicidade
escrito por Flavio Watson às 17:16
Enfim um anúncio meu no site do Clube de Criação do Rio de Janeiro.
Aeeee!
:D
Visitem logo, pq não sei quanto tempo ele ficará no ar.
Entrando no site é só clicar em NA MÍDIA, deve ser o primeiro, pois é o mais recente. Se não, procurem pelo meu nome.
Ok, entrei em 99º lugar, mas considerando que são 250 posições, até que não entrei mal : P
Até faria um apelo por votos, mas somente membros do CCRJ podem votar. : /
Agora só falta alguém me descobrir e me pagar um salário nababesco.
Mon 26 Feb 2007
RPG
escrito por Flavio Watson às 14:44
Vou abrir uma ou duas mesas de RPG. Faz ANOS que não jogo e estou muito, muito mesmo, na pilha. Os sistemas que proponho são In Nomine e D&D – Ravenloft.
Jogadores, apresentai-vos!
Sat 24 Feb 2007
Palavrório
escrito por Flavio Watson às 10:04
Desculpem a citação Hazeliana, mas eu adoro essa frase.
Este blog andou um pouco sortuno ultimamente. Nem sei se tanto assim, mas eu acho que um certo clima sorumbático encostou por aqui. Sei lá, vocês não acham?
…
Eu não sei se acontece com vocês, mas eu escuto vozes.
É sério.
Não são meus pensamentos, não é nem com a minha voz. Acontece quando estou distraído, meio sonolento ou quanto tento esvaziar a mente. Surgem como pedaços soltos de diálogo. Uma frase desconexa, sem referência com nada que eu esteja fazendo no momento. A sensação é de que entrei por um instante na mente de outra pessoa. Ou de que estou sintonizando um rádio.
É esquisito.
Ou esquizofrênico.
Complicado vai ser quando elas começarem a me dar ordens.
:D
It wont give up it wants me dead
Goddamn this noise inside my head
Thu 22 Feb 2007
Palavrório
escrito por Flavio Watson às 5:22
Alta madrugada de quinta-feira.
Tecnicamente a quarta-feira de cinzas já acabou, mas ainda resta um gostinho de queimado aqui.
Uns dias atrás fui mostrar a uma amiga o layout que havia feito para um antigo blog meu, o falecido Máscaras de Arlequim, onde toda aquela história de Arlecchino começou. O primeiro post data de 28 de fevereiro de um (impressionantemente) distante 2003.
Quatro anos atrás…
É quase inacreditável isso.
Mas enfim, era uma sexta-feira, véspera do carnaval. E o blog surgia depois de uma estranha experiência no blog anterior, o Metamorphina original, que acabou fechado. Era uma máscara sob a qual voltava o recalcado, como disse Waly Salomão em A Fábrica de Poema, cantada pela Adriana Calcanhoto.
Foi curioso rever e reler aquelas palavras, de um tempo que às vezes parece tão distante, às vezes tão recente. Coisas engraçadas perdidas do contexto nesses anos. Outras ainda atuais nas suas questões. Ecos antigos resoando aqui e acolá. Crises, bobagens, banalizações, jogos e muita “desconversa”, posts totalmente vazios de sentido só pra falar algumas coisa, quando não havia nada pra ser dito. Ou até havia, mas não queria.
Pretendia falar mais sobre isso, mas nem sei o quê, nem como. Além do mais passam das cinco da manhã, e tenho que em poucas horas estar no escritório, para o que resta de útil nessa semana.
Talvez um outro dia.
Fri 16 Feb 2007
Palavrório
escrito por Flavio Watson às 10:54
28. Now a curse upon Because and his kin!
29. May Because be accursed for ever!
30. If Will stops and cries Why, invoking Because, then Will stops & does nought.
31. If Power asks why, then is Power weakness.
32. Also reason is a lie; for there is a factor infinite & unknown; & all their words are skew-wise.
33. Enough of Because! Be he damned for a dog!
Ah tá.
Thu 15 Feb 2007
Palavrório
escrito por Flavio Watson às 18:07
s i l ê n c i o
enquanto os mortos falam, os fantasmas se divertem
Tue 13 Feb 2007
Literatura & HQs,
Magick,
Trevosidades
escrito por Flavio Watson às 11:32
Isso ia ficar ótimo na estante da minha futura nova casa.
E, bem, já que tô aqui mesmo, não custa muito colocar esse careca também.
:D
Duzentos dinheiros norte-americanos cada uma…
É, com esses preços abusivos, custa sim.
Mon 12 Feb 2007
Música
escrito por Flavio Watson às 9:02
Rainy Days and Mondays
The Carpenters
Talkin’ to myself and feelin’ old
Sometimes I’d like to quit
Nothing ever seems to fit
Hangin’ around
Nothing to do but frown
Rainy Days and Mondays always get me down.
What I’ve got they used to call the blues
Nothin’ is really wrong
Feelin’ like I don’t belong
Walkin’ around
Some kind of lonely clown
Rainy Days and Mondays always get me down.
Funny but it seems I always wind up here with you
Nice to know somebody loves me
Funny but it seems that it’s the only thing to do
Run and find the one who loves me.
What I feel has come and gone before
No need to talk it out
We know what it’s all about
Hangin’ around
Nothing to do but frown
Rainy Days and Mondays always get me down.
Ouça
aqui.
Mon 12 Feb 2007
Palavrório
escrito por Flavio Watson às 3:31
Título batido e pretencioso.
Principalmente para alguém como eu, que nunca leu Sartre. Na verdade estou na metade de “A Idade da Razão”, que é um ótimo livro, mas sou um leitor enrolado que lê as coisas num espaço imenso de tempo, simplesmente porque se fico um dia sem ler acabo não continuando a leitura e o livro fica alí esperando ser terminado.
Independente da citação apresentada logo de cara, ignoro completamente o contexto em que ela se encaixa na obra do pensador francês. No entanto, quando comecei a desenvolver o que viria a ser este post, trabalhava sob o título de “Tristeza não tem fim, felicidade sim”, pérola gótica do nosso cancioneiro nacional, como eu costumava dizer em idos tempos de mIRC, no canal #Gótico da DalNET.
É impressionante como só conseguimos nos enxergar no reflexo do outro. Uma vez que esse reflexo é apenas parcial, assim como nossa percepção dele, nossa visão de nós mesmos é uma verdadeira porcaria que vagamente deve lembrar o que somos de fato.
No entanto, é o único meio de nos conhecermos.
Podemos tentar meditações, yoga, exercícios de purificação mental e centenas de outras técnicas que devem render milhões em livros de auto-ajuda mundo afora. Porém, é fato, a percepção que vemos no reflexo do outro é a que mais revela. E assusta. Afinal, em um mundo social não tem a menor importância quem você é em si. Ninguém liga para quem você é, mesmo dizendo o contrário. As pessoas se importam (quando se importam) é com o que você parece para elas, o que normalmente é o que você faz parecer, queira ou não.
É aí que a gente descobre que todo nosso esforço em sermos nós mesmos é vão. Nós nunca chegamos a ser alguém. Somos muitos alguéns nas cabeças de outros tantos alguéns que na verdade não fazem a menor idéia de quem somos. Assim como nós também não fazemos.
Dia desses foi aniversário de um colega do trabalho. Gente boníssima, um cara simpático que curte boa música. Como fui convidado para a participar da particular comemoração que marcara para uma noite de sábado, pensei em levar além de um vinho para fazer os salgadinhos descerem mais facilmente, um DVD com centenas de MP3 que acreditava, seriam do gosto dele.
Sabendo mais ou menos o que ele ouvia, montei um repertório que ia de Claire Voyant à Mila Mar, de Collection d’Arnell-Andrea à Black Tape for a Blue Girl. Assim como todos os cinco volumes da coletânea Heavenly Voices, artigo raro de achar, mesmo hoje em dias digitais de álbuns fáceis.
Seleção feita, queimei o DVD, fiz uma capinha bacana e levei pra ele, que agradeceu muito e disse que aos poucos ia carregando seu iPod com o presente.
Passam alguns dias e saio da minha clausura, onde fico confinado a fim de desenvolver títulos geniais para meus queridos clientes, e dou uma passadinha no departamento de arte para dar um alô pro pessoal.
Clima pesado, rostos sorumbáticos. O rapaz que trabalha com o tráfego (coisa de publicidade, não trânsito) estava sentado com o rosto enfiado nos braços cruzados. Nem cheguei a falar nada e meu querido e presenteado colega explica a situação:
- Tá todo mundo ficando doente com as suas músicas, Flavio.
- Anh?
- Você trabalha escutando mesmo isso? – pergunta o trafego. – É muito depressivo!
Estavam ouvindo Claire Voyant, o segundo álbum acho, Time and the Maiden.
- Poxa, isso é lindo. - tento me defender sem um argumento muito convincente, afinal dizer que é lindo não é absolvição para tristeza alguma, como sabemos bem.
“The pain of this illusion comforts me
it reminds me of how well I was…”
É, não tinha muito o que me defender. O fato é que eles tinham descoberto que eu gostava, e muito, de coisas tristes. E a descoberta deles também foi minha. Não que eu não soubesse disso. Sei disso muito bem, há muitos anos. O que não sabia era que isso era percebido por mais alguém além de mim, por mais óbvio que seja. E quando essa percepção vem, é como um eco. Ela bate no fundo do outro e aparece na nossa frente. Algo que saiu de nós mesmos e agora se manifesta fora de nós. Assim, vemos de fora, de outro ângulo, outra perpectiviva, aquilo que tinhamos como bem conhecido e entendido, confortavelmente quardado na gaveta das questões resolvidas (ou ao menos percebidas).
Quando eu era adolescente não existia blog. Mal havia internet, o que só apareceu lá pra 95/96, acho. Então, quando eu tinha uns catorze anos comecei a escrever algo que chamava de “cartas para mim mesmo”. Não eram cartas exatamente. Eram apanhados de idéias e reflexões, colocadas no papel. Não chegava a ser um diário porque era uma produção muito ocasional e não remetia a nenhum fato necessariamente. Eram pensamentos escritos à mão que ficavam guardados à sete chaves. Ninguém poderia ler aquilo, era íntimo demais. Quem lesse me descobriria por inteiro, veria que eu não era sempre aquele garoto alegre, divertido e sorridente, cheio de amigos que buscavam conselhos sobre suas dores. Veria que eu era, apesar de tudo isso, solitário.
Ainda tenho esses textos guardados numa pasta aqui em casa. Não são muitos, nem devem chegar a vinte, embora o hábito dessas “cartas” tenha ido de 94 até 99, acho.
Eu sempre me preocupei muito em esconder esse meu lado das pessoas. Essa melancolia que me seguia desde a infância. Lembro dos fins-de-tarde. Aquele laranja que tomava todo o céu quando estava em alguma das casas de férias que minha família costumava ir. Olhava o pôr-do-sol e ficava pesado, triste. Aquele fio de luminosidade transformava todas as coisas, tudo parecia lento e em breve sumiria junto com a tarde. Mas logo chegava a noite com suas luzes artificiais e novelas e tudo parecia voltar ao normal. Normalmente.
Agora me pergunto, será que apesar de todos os meus esforços em parecer ser sempre uma pessoa alegre e divertida, os outros percebiam essa máscara?
Na verdade isso nem importa. Meu esforço não era em não ser revelado, embora eu não soubesse disso. Meu esforço era em não me ver. Ocultar-me de todos era não encarar no espelho do outro a confirmação de tudo que eu já sabia. Era pra evitar de ver no outro o meu inferno particular, que me era tão precioso por ser só meu.
Tue 6 Feb 2007
Música
escrito por Flavio Watson às 13:00
Silver Star
Mila Mar
“Close your eyes
and count to ten.
I will go
and hide again”,
said the father to his little princess.
Cold was the night.
So glad was the child.
1,2,3,4,5,6,7,8,9,10.
Three days later
the strangers came,
took the little princess
and drove her away.
“Father, father where are you?”
Cold was the night.
Oh, lonesome child.
I wanna shine like a silver star.
I’ll follow the moonlight.
Tonight I’ll be the star.
I’m the silver star.
Beneath a tower
The princess was found.
Her eyes are open,
but she still counts.
“Father, father please stop this game!”
Cold was the night.
Dead was the child.
I wanna shine like a silver star.
I’ll follow the moonlight.
Tonight I’ll be the star.
I’m the silver star.
Essa música é linda…
E triste.
Fri 2 Feb 2007
Palavrório
escrito por Flavio Watson às 18:26
Eram gritos horríveis. Quase inumanos.
Não dei muita atenção nos primeiros segundos, mas a persistência daquele horror acabou me chamando para a janela.
Na cobertura do prédio em frente, um jovem obeso gritava desesperado para os céus com as mãos na cabeça andando de um lado para outro da enorme varanda. Não fui metafórico quando disse que os gritos eram inumanos. Não havia humanidade ali, somente desespero numa forma que eu nunca havia visto antes. A primeira impressão que tive foi de que presenciava um surto, alguém que perdera totalmente a ligação com a realidade e parecia nada disposto a retornar a ela.
Mas não, repetidamente ele ia até a beirada da varanda e olhava para baixo. No terreno baldio ao lado, um homem apenas de bermuda estava deitado de costas, imóvel.
Suicídio. Era a realidade gritando dez andares abaixo.
Fiquei na janela um pouco confuso, sem saber direito o que pensava. O sofrimento daquela família, que nunca me viu nem sabia quem eu era, me angustiava. Pensava sobre o paradigma da morte e a fragilidade do homem. Nas relações humanas que nos envolvem e que nos marcam tão profundamente. Perda, saudade, medo, posse, identificação, amor.
Minha mãe chega ao meu lado, olhando um pouco consternada para a cena. Ficou calada um tempo e depois disse: “Você sabe que seu avô também morreu assim, né?”
Não, não sabia. E parecia ser o único a não saber. Descubro então que meu avô, que sempre acreditei ter sido vítima de um infarto fulminante aos quarenta e poucos anos, deixando mulher e quatro filhos adolescentes numa manhã de natal, na verdade tinha dado um tiro na cabeça.
“Depressão”, minha mãe disse. O curioso é que sempre foi feita uma imagem dele de homem brincalhão e alegre. Sempre que me falavam de meu avô diziam como ele era espirituoso, divertido e sensato. Que mesmo sendo Comandante da Aeronáutica, não tinha aquele rancor e dureza que marcam os militares em geral. Talvez tudo isso fosse verdade. Ou pelo menos parte da verdade que merecia ser lembrada.
Morte, “a indesejada das gentes”. Sempre tive uma identificação profunda com os temas mórbidos, mas nunca, que me lembre, tive medo da morte, mesmo quando era um garoto católico cheio de concepções de inferno e promessas de paraíso. Achava que era um bom menino e meu destino óbvio era a sagração celestial. Não tinha culpa, logo não tinha medo da danação eterna. O que me assustava na morte era a dor, o sofrimento físico e a angústia de deixar os que me amavam sem mim. Essa parte é boa. Não me assustava na morte perder a convivência com os que permanecessem vivos. Acreditava eu que uma vez morto eles não me fariam falta, afinal mesmo com alguma concepção sutil de pós-morte, o que quer que houvesse seria um outro momento, sem qualquer relação com esse mundo dos vivos. Então me preocupava o sofrimento que eu causaria com a minha ausência.
Cresci e minhas concepções religiosas dissolveram-se. Hoje poderia dizer-me espiritualizado, místico até, mas já fui de um ceticismo feroz e estéril. Mas em nenhum momento meu interesse em qualquer assunto que remetesse ao fim das coisas foi afetado. Pelo contrário, elaborou-se. Passou para outras esferas. Ruínas, prédios abandonados, jardins esquecidos, ambientes decadentes… Tudo isso me encanta na mesma proporção que me incomoda. Quando estou em algum lugar que me invoca essas experiências sinto-me profundamente desconfortável, no entanto atraído, encantado.
Talvez seja esse jogo de polaridades que me atrai tanto. A perspectiva do fim, retratada no outro e nas coisas, lembra-me da minha finitude e da finitude de tudo ao meu redor. Tudo vai perecer, é natural e necessário. No entanto fica no presente uma marca da existência, restos de histórias, vidas que sentiram e criaram. E isso atiça minha imaginação, vejo a vida fantasmagórica que habita o abandono, um retrato imaginário de tudo que foi sobreposto ao que é.
Mas isso tudo é muito desconectado da existência objetiva. Na realidade cotidiana, a morte é a ruptura, muitas vezes abrupta, de laços que jamais queremos lembrar que serão cortados. Embora saibamos que esse é o fim ultimal de tudo.
Morreremos. Abandonaremos e seremos abandonados durante toda a vida. E isso é bom.
A morte é o que nos faz vivos e não o contrário. Se nada perdessemos e não fizessemos falta a nada, não haveria sentido algum em viver. Não digo em existir, pois existência ainda me é incógnita em significado. Mas viver seria uma tarefa ainda mais angustiante se não tivessemos um horizonte velado do fim a nossa frente. Não teríamos propósito, meta, não nos sentiríamos impulsionados a nada se não houvesse uma contagem regressiva indeterminada desde que nascemos.
Os cultos antigos de veneração da morte enxergavam essa verdade com muito mais conforto do que nossa sociedade dita civilizada. Eles compreendiam que a vida só advinha da morte. O velho precisava dar lugar ao novo, que se constituiria, seja por continuidade, seja por oposição, a partir da estrutura pregressa. Das ruínas e abandonos do tempo passado.
Daí toda e qualquer forma de eternização é em verdade uma morte em vida. As tradições, as forças rígidas da estase, os estatutos, as monarquias, as concentraçoes de poder. Tudo é vida-morta, inerte e inoperante. Existente mas paralizado, sem ação e muito menos criação.
A morte nos transforma. Muda a vida de quem fica. E é preciso criar para não morrer junto. Criação é o ato sagrado dos deuses, o que os qualifica. Quando criamos, somos deuses manifestos e arbitramos sobre a nossa realidade. A criação é o feito máximo que une fim e princípio, desconstrução e construção. Quando criamos, vencemos a morte, sem negá-la, em uma nova vida.
Portanto “Lembra-te que morrerás”. E cria.
Faz da vida teu reino e domínio, para que então seja a morte a coroa de tudo.