Dia desses, estava no enterro de uma tia-avó muito querida, que infelizmente a velhice e a doença haviam levado sua aparentemente infinita jovialidade. Por sua idade avançada e os últimos anos em galopante decrepitude, sua morte era esperada e não havia maiores angústias no salão de velório. Estávamos todos muito tranquilos e com exceção do momento do fechamento do caixão não houve maiores comoções na pequena audiência.

No cortejo pelas alamedas do cemitério, eu e minha mãe conversávamos sobre nossos desejos tumulares frente às opções de jazigos que nossa família dispõe, concordando que nenhum deles nos interessava, pois queríamos ser cremados. Enquanto especulávamos sobre os possíveis destinos de nossas cinzas, surgiu a questão de minha avó, mãe de minha mãe, que poderia optar entre ser enterrada com seu marido ou seu pai.

A matriarca, com a saúde de quem passara a juventude a leite de cabra e a clareza de quem criou quatro filhos sozinha após a prematura morte de seu marido, respondeu:

- Tanto faz, minha filha. Eu já estarei morta mesmo.

- Mas mãe, é que você pode escolher ser enterrada junto com seu pai ou seu marido. Poderia querer estar com um deles…

- Tanto faz, minha filha – repetiu minha avó – estarei com eles em outro lugar.

- Bom então vamos te enterrar aqui no São João Batista mesmo, porque o Caju é muito contra-mão.

- Ah, tá ótimo.

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Adoro a praticidade mineira da minha família.